It's OK not to be OK

23-11-2017

Vivemos numa sociedade onde, para cada um não demonstrar as suas próprias fragilidades, decide fechar-se dentro de si próprio, esconder as tristezas com sorriso. Mesmo quando outros perguntam "estás bem?", assentimos com a cabeça porque sabemos que a voz fica trémula se usarmos as palavras. Muitas vezes pergunto-me "porquê?". É só estúpido (e já não é pouco) sermos falsos com o mundo e isso fazer de nós seres de aparências.

Claro que não podemos cair em exageros e a cada dorzinha ou obstáculos que temos queixarmo-nos de tudo e do mundo... Mas as pessoas deviam poder demonstrar como se sentem, independentemente de estarem bem ou mal.

Nem sempre conseguimos fazer de conta. Não devíamos precisar. Às vezes até se torna difícil para cada um de nós entendermos o que sentimos e ao falarmos com alguém as respostas surgem, naturalmente, sem qualquer tipo de imposição nossa ou dos outros.

No meu caso, passo os dias rodeada de gente. Olho para as caras de muitos e o olhar parece vazio. Olho para o sorriso de outros e não têm lá nada. Nem verdade. As pessoas sentem quando as coisas são ditas e sentidas, com verdade. Eu pelo menos sinto. Poucos são os que não se importam de me demonstrar as suas tristezas, mesmo não tendo que as conhecer a fundo. Os outros, mesmo que mostrassem, só poderiam contar de mim com o melhor... Um "o que eu posso fazer para te sentires melhor?" não custa muito e pode fazer tão bem.

No entanto, antes de exigirmos de quem quer que seja, devemos olhar para o nosso umbigo. "E quando é comigo?" Sim, tenho que admitir... Eu tenho um defeito (alguns aliás!)... Afasto os outros porque nunca sei quem está do outro lado. Apregoo a verdade e o sermos verdadeiros mas sou, algumas vezes, incapaz de dar o que é real porque tenho medo que a confiança se sobreponha ao respeito... Continua a ser só estúpido pensar assim... Obviamente que quando falo disto, não estou a incluir aqueles amigos ou a pessoa que vive connosco o dia-a-dia... Mas sim, no meu meio, vivo numa "selva" e outrora fui "comida" muitas vezes pelos "leões" por ser uma presa demasiado fácil. Lá está... Isto leva-me a pensar que o menos bom pesa sempre mais do que o bom e que nos faz atuar de certa forma.

Dentro do meu bolso, tenho trazido poucos sorrisos... Os poucos que trago dou-os sem pedir nada em troca... No entanto, há uma pessoa a quem tenho que dedicar este post e no fim vão perceber porquê...

Tenho um colega... Não vou dizer o nome, vou só tratá-lo por A.

O A é um colega como poucos... Já tive muitos colegas na minha vida profissional mas como o A, admito, não conheci nem uma mão cheia. Ele não é bem meu amigo. Escondo dele (e de todos os outros, como já admiti!) os meus dias mais negros e, principalmente, o motivo deles... Não o escondo só por mim mas também por ele porque coitado, ou é um insensível (sim, o A também tem defeitos) à sensibilidade do mulherio da equipa, ou é too much information para ele quando o dito mulherio se decide juntar e conversar... Na certeza porém, o A continua a ser o melhor colega que tenho... Tudo por apenas um motivo... Se eu entro de olhos cabisbaixos, ele pouco me vê mas pergunta sempre "o que se passa?", mesmo até sabendo que não lhe vou dizer a verdade e vou atirar com um simples "nada". Se me escondo num buraquinho, porque há dias em que não nos apetece ouvir críticas para não duvidarmos (ainda mais!) de nós, o A diz-me "deixa lá". Ele até pode não se importar muito com as dúvidas existenciais de quem o rodeia mas também não desvaloriza as pessoas. Podia resignar-se ao silêncio... Podia. Podia até fazer de conta que não ouve, não vê, não lhe é próximo. Mas ele não o faz.

O A diz sempre as coisas mais engraçadas, arranca-me sempre a gargalhada mais alta e diz-me sempre "queres ajuda?". Não porque não me ache capaz mas porque não deixa "ninguém na mão".

Mais, o A é tão bom colega que não é assim só comigo. É com todos. É isso que faz dele o colega que todos gostam.

Agora, vocês perguntam-se o porquê de o A estar neste post... Porque na verdade ele é a personificação do "It's OK not to be OK". Ele não se importa se as pessoas não estão bem nem de lhes dispensar tempo para lhes melhorar o dia. Não diz que não importa o que se passa. Só diz que se vai resolver. E, acima de tudo, gosta de sorrisos verdadeiros. Como eu.