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17-01-2017

Há muitos anos, no meu último a olhar a Lisboa como casa, esta era a banda sonora que tocava no meu mp3. Andar com os phones nos ouvidos era um hábito meu (e de mais de 10.000 pessoas!) naquela cidade grande, cheia de movimento, mais solarenga e, mesmo assim, suficientemente imponente para me ter amedrontado no primeiro ano, me ter apaixonado no segundo e me ter acolhido no terceiro. Lembro-me de, no início de outubro daquele ano, com apenas 18 anos, ter sido deixada no passeio, a olhar os prédios altos, intermináveis, que tocavam nas nuvens. Eu tinha um sonho mas para o concretizar tive que ver a minha mãe a afastar-se, a deixar-me voar, a 300km de casa. Ela conhecia-me. Sabia que fosse o que fosse que me motivasse, se eu queria aquilo, eu ia até ao outro lado do mundo para alcançar, cheia de brilho no olhar e com um caminhar decidido. Mas ela sabia que, na verdade, nem sempre somos tão fortes, nem sempre sabemos o caminho por onde passamos. Lisboa foi um dos maiores ensinamentos que viria a ter para saber viver longe de casa, longe dos meus, longe de uma parte de mim. Não seria a única...A distância que separa as pessoas, fisicamente, não é a mais dura distância de suportar mas dá-nos uma ideia de como seria não viver com a pessoa que mais amamos. Hoje, é como se estivesses tu em "Lisboa" e eu a guardar e a manter as coisas aqui por ti. Estás lá, num projeto de vida, num sonho, a caminhar decididamente e deixaste-me com a responsabilidade de gerir a minha vida, ajudar a gerir a dos nossos, a fazer por mim, a sorrir e a desafiar-me, todos os dias. Também sabes que há dias que não dá para suportar o peso do mundo e não nos sentirmos pequeninos. São dias. Na maioria deles, caminho com passo largo, olho em redor e sou muito feliz. Mas...Sabes o que eu realmente queria, mamã? Que viesses para casa. Nem que fosse apenas por um minuto, nem que fosse apenas por uma hora. Precisas de ver como as coisas estão arrumadas, como somos responsáveis, como somos felizes juntos... rimos, cantamos, ouvimos música, trabalhamos, cuidamos de nós e dos outros. Podias vir cá num pé e ir no outro só para te aperceberes o quão especiais somos por tu nos teres aconchegado de noite, antes de dormir, e nos teres ensinado que temos que ser almas especiais para dormimos em paz, à noite.Anda, anda!!! Anda ver como ainda sou pequena e preciso que me digas "Sara, não faças isso!!!", com esse teu ar resmungão. E, logo a seguir, eu faço um belo jantar e torno-me na mulher que sempre quiseste que eu fosse. Mais!!! Anda cá ver como eu e o Rick damos beijinhos aos avós, como o avô continua sabichão e a avó gosta de ver a novela e conta as histórias da gatinha, vezes e vezes sem conta. Anda que a Z, a nossa cadelinha, ainda não te conheceu mas sei que a vais querer para companhia no sofá. Vem depressa que o P diz que tu concordas sempre com ele e eu tenho ciúmes que tu lhe dês mais vezes razão do que a mim. Há 3 anos que ai estás... Sei que a tua "Lisboa" deve ser um sítio bem bonito, calmo. Sempre disseste que a mudares teria que ser para um sítio calmo. Espero que também seja solarenga porque tu não abdicas do sol. Mas protege as sardas do teu rosto. Ficam tão bonitas quando o sol as sobressaem. Vou-te escrevendo para te manteres atualizada. Guardo todas as cartas. Queria apenas dizer-te que... tenho saudades tuas. Sinto a tua falta, todos os dias. E dava tudo por uma gargalhada tua.Tenho saudades, tu sabes. <3

"It will all right, I'll be home tonight. I'm coming back home" 17.01.2014