George Michael.

27-12-2016

A música é a minha cronologia, é o meu ponto de referência para datas, momentos, pessoas, gerações, até para o mundo da moda. A música marca, cresce em nós, evoluí-nos, faz parte de tudo o que é nosso.
Quando era mais miúda lembro-me de pensar que a vida deveria ser como nos filmes... enquanto andamos na rua, devia tocar a nossa banda sonora do momento, para caminharmos com mais estilo ou, em momentos de tristeza e nostalgia, nos consolar o coração.

Até hoje, a minha maior perda musical foi o Michael Jackson. Chorei como se tivesse perdido alguém da minha rua.
No entanto, perder o Prince este ano também não foi nada bonito. Só não chorei porque já tenho idade para não fazer cenas mas fiquei incrédula. Sou uma mega fã da excentricidade do Prince, da sua música e do que ele trouxe à música mundial.
E agora... perdemos mais uma figura ilustre. Perder George Michael é como perder mais uma referência, não só na música mas de temáticas importantes da vida, da sociedade, do Mundo.
Recordo-me que nas primeiras vezes que ouvi falar em homossexualidade foi por causa do episódio da casa banho de George Michael. Além disso, George Michael marcou a minha adolescência com letras completamente "fora da caixa" e videoclips dignos de se perguntar "o que é que se passa ali?".
Tinha apenas 10 anos quando saiu "Outside" e lembro-me de pensar que a música, o clip, os outfits, despertavam-me para um mundo que eu não conhecia mas que eu não queria estranhar. Acho que foi uma forma de contornar o preconceito que, naturalmente, numa criança de 10 anos, poderia existir, por tudo o que era mostrado por GM ser diferente. Eram 3 minutos de música num dos meus canais favoritos, a MTV, mas foram ensinamentos que realmente duraram uma vida.
A minha favorita? "Amazing", no caminho do liceu para o centro da cidade, com os phones nos ouvidos, uma mochila cheia de sonhos e um coração apaixonado, em 2004.
#RIP #GeorgeMichael