As pessoas do trabalho.

18-01-2017

Quando chegamos a um local de trabalho novo não sabemos nunca o que nos espera. Podemos sonhar, projetar, ter determinadas ambições e definir uma postura que, muitas vezes, não está de acordo com quem somos na nossa vida pessoal. 

A mim, sempre me fez confusão aquelas pessoas que dizem "eu não sou assim na vida pessoal, sou mais simpática, sou menos bossy, sou mais flexivel, compreensiva", ou vice-versa. A verdade é que não tenho muito tempo de empregos no meu CV (5 anos e qualquer coisa não é tempo nenhum!) e sei que há limites que devemos definir, até para nos protegermos, mas quem me conhece sabe que a paixão com que vivo a minha vida e os meus é igualmente projetada para quem me rodeia, 8 horas por dia, a desempenhar funções do meu lado. 

Dou por mim a pensar se teria perfil para ser uma chefe que tivesse que contratar ou despedir alguém, que tivesse que ter a frieza necessária para tomar decisões que originassem repercussões na vida e na esfera pessoal de outras pessoas. Sempre que penso nisso, sei que seria uma líder e não uma chefe. Uma vez mais, os limites teriam que existir. No entanto, um líder defende, inspira alguém, ensina, ajuda e "dá o corpo às balas" do lado dos funcionários. Há quem diga que tudo isto é apenas utópico e que na selva onde atualmente vivemos chamada emprego nada se processa assim. Eu defendo que há valores que devem sempre falar mais alto e que, no momento de decisões, difíceis ou não, a comunicação eficaz e ponderada e transparente é sempre a solução mais acertada. 

Dito isto, não foi por isso que me ocorreu escrever este post. É apenas uma introdução que serve para ponderarmos nos funcionários, colaboradores, chefes, líderes, que todos nós somos. Tento fazer esse exercício muitas vezes. Sou eficaz na maioria delas mas também tenho direito a ficar aquém de expectativas alheias. Também, na maioria das vezes, sou fiel a mim mesma, à ética profissional e aqueles que me rodeiam. Isso é sempre o mais importante. 

Retomando... 

Quando chegamos a um local de trabalho, sentamo-nos e não queremos sair da nossa "bolha actimel" que nos protege e faz de nós pessoas desconhecidas, sem personalidade, sem bom nem mau, sem definições ou rótulos. Normalmente, há quem demore um mês a deixar-se conhecer e a conhecer os outros. Depois há aqueles que demoram anos ou nunca ultrapassam aquela linha que separa casa do trabalho. E depois... existo eu! (Quero acreditar que existem mais seres assim!)

Entro nos sítios a medo mas não tenho medo que me conheçam, que me vejam como realmente sou. Não tenho esqueletos no armário que me impeçam de ser a alma expansiva e alegre que sou. Não foi diferente quando as conheci.

Lembro-me do primeiro almoço, de dizer duas piadas e de ver a MT a olhar-me, com ar de riso e desconfiança, e dizer para si própria, ainda que me fosse permitido ouvir "gosto de ti, pá!". 

Quando conheci a AM, ainda que ela não deixasse escapar mais do que um sorriso de 2 segundos porque não me queria deixar entrar no mundo dela, sabia que ela seria uma das minhas, daquelas que não deixas em lado nenhum, mesmo que um dia o teu percurso profissional seja diferente do dela. Era a que não tinha vergonha dos seus alter egos, que não escondia as suas verdades e que não pedia permissão para entrar no nosso coração. 

Mais tarde veio a ARM, aquela que não largava os fios de cabelo e que, inesperadamente, viria a descobrir que tínhamos mais em comum do que aquilo que pensávamos. A ARM é a minha ARM. Não há como ela, que divide a casa e o trabalho comigo, que não deixa que os meus maus momentos nos afetem, que prefere que eu pergunte do que eu assuma, que me olha e que sabe a resposta, mesmo sem me fazer nenhuma pergunta. 

Lá pelo meio, tive a IR. A IR veio, ficou e nunca mais foi, pelo menos no coração. Fisicamente, está longe mas a correr atrás dos sonhos de sorriso estampado na cara e cheia de pinta. Era a minha miss. Era giro passear com ela e, cúmplices, rirmos porque ela não passava despercebida. A mim não passou, desde o dia 1. 

Não posso esquecer a CP, mais conhecida por um nome que rima com Milu, que nunca me nega gargalhadas, que me faz doer a barriga com tanto bom humor, que se ri de mim e comigo como ninguém. É daquelas pessoas que tem boa disposição estampada no rosto, que me faz lembrar alguém que amo imenso e que, esteja eu onde estiver, me lembro dela sempre que vejo uma piada parva. 

A JM foi uma descoberta passo-a-passo, de pequenos olhares, de conversas descodificadas, de idades próximas e uma paixão em comum, os trapos. Com ela, é i, "estamos perto sem termos a necessidade de estarmos coladas", é um "estamos longe mas preocupamo-nos sempre".

Conheci a AndM e, embora não tenha sido amor à primeira vista, conquistou-me devagarinho e depois arrebatadoramente. Dona de uma sensibilidade, de um coração incrível, de uma história digna de se parar e ouvir, com toda a atenção, assim era ela. Ela deu-me a mão. Ainda não a larguei. Não o farei. 

Elas são muitas... Foram ainda mais... Mas não seria justo não falar da AG, a pequenina grande menina que foi companheira de tantas dúvidas e me confiou inúmeras vezes a sua incrível personalidade e me prometeu que estas nossas andanças não ficariam por aqui. 

Ao falar de cada uma delas, tenho que referir a minha grande motivadora; a SO. Irreverente, desleixada com aprovações alheias e cheia de energia, a SO era a surpresa do dia e sei que nunca irá desiludir. É até absurdo mas comparo-a aquele restaurante que podemos escolher todos os dias um menu diferente e sabemos que será sempre um menu maravilhoso. 

Pois é... Quando trabalhamos com pessoas acabamos por deixar o nosso coração conectar-se ao delas, seja por aproximações, surpresas ou qualquer outro fator. Acho que nunca me desconectei de ninguém com quem trabalhasse. Se o fiz, não foi propositado ou não estava suficientemente conectada. 

Em todos os locais onde desempenhei funções.  as pessoas não me foram indiferentes e sei que eu também não lhes fui nula. Dividi alegrias, afugentei tristezas, limparam-me lágrimas, partilhei dúvidas e, mais do que tudo, aprendi muito, muito muito, com elas. Porém, aquelas que referi acima foram mais do que tudo isto. Acima de tudo, elas acrescentaram algo à minha vida, ficaram com pedacinhos do meu coração, melhoraram a pessoa que sou, entregaram-me olhares e memórias e, passem os anos que passarem, não vou ter que me lembrar, porque não as esquecerei. 

Embora ainda haja muito que dizer sobre elas, embora ainda faltem alguns dias até deixar de dividir as 8 horas diárias, embora ainda haja tempo para lhes arrancar um dedo, um fio de cabelo, uma bota de um pé ou um isqueiro do bolso, acho que as pessoas de quem gostamos e que também dividem a vida profissional connosco merecem o nosso reconhecimento. Há uma certa magia em tudo isto. E, na selva, lá fora, há muitos que se vão identificar com tudo o que escrevi hoje.

Para mim, basta-me saber que vos encontrei e que não vos vou deixar. 

Nunca.